quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Como subir e descer na boquinha da garrafa em tempos pós-modernos

Preciso confessar que depois que arranjei um segundo emprego a minha vida de blogueira tem fracassado consideravelmente. Tenho me rendido ao rápido Twitter, o que faz com que a galera do intelecto superior torça o nariz. Quando mais longe você ficar das redes sociais mais esperto você é. Eu até concordo com isso, mas eu sou do povo, eu sou um zé ninguém; e convenhamos, ficar sentado com a perninha cruzada reclamando da juventude de hoje está fora de moda. Atualizemo-nos.
Agora eu tenho um plano novo em minha vida: criar uma terceira dimensão onde eu tenha tempo para dormir, cursar Letras, cursar Jornalismo e assistir aos mais irrelevantes seriados da televisão americana. Algo me diz que meu relacionamento com aquele Físico não deveria ter acabado. Quem sabe ele pudesse fazer alguma coisa com relação a isso. Sabem, não sei calcular a existência de buracos negros.
Falando em cursar, já me matriculei em boa parte das dez matérias que irei enfrentar neste semestre. Algumas prometem. História da Arte, Introdução ao Texto Poético e Dramático e Jornalismo Literário, onde certamente reprovarei. Nessa última é preciso escrever um livro reportagem nos moldes de A Sangue Frio do Truman Capote. Ou seja, você precisa escolher um crime envolvendo assassinato e escrever um livro; vou repetir, um livro sobre o caso. Entrevistar envolvidos, advogados e o baile todo. Sou bem mais o célebre Gay Talese, também dito "jornalista literário", o qual tive a oportunidade de ver ano passado em São Paulo.
Como sou bem jeca, lembro até de ter chorado na palestra do cara. Existem poucas pessoas que sabem o que querem ser quando crescer e eu fico feliz em saber que sou uma delas. Quando Talese indicou Francis Scott Fitzgerald para uma plateia repleta de futuros profissionais eu entendi exatamente o que ele quis dizer com aquilo. Esquecerei o fato de ele também ter indicado Ernest Hemingway. Sabem né, frases curtas não estão com nada, mas também não precisa bancar o Saramago.
Tá, nem vou entrar no questão do 'ser jornalista não é saber escrever bem', por que é, mas não é a totalidade da profissão. Agora que finalmente alcancei um cargo de repórter em um jornal diário local, vejo como as coisas não são tão poéticas, mas ainda sim necessárias.
No mais, quinta-feira irei para Florianópolis dar uma checada no bronzeado da Beyoncé. Minha irmã que recentemente decidiu fazer doações as pessoas carentes, congratulou-me com um camarote. Não, eu não fico escutando bandinhas de garagem do rock inglês que ninguém conhece só você. Afinal, com que fundo musical eu dançaria de calcinha na frente do espelho? Sergei Vacilievich Rachmaninoff? Acho que não.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Como conversar com as pessoas mais sensatas do Brasil

Daí neguinho vem com a frase feita só para me agredir e eu fico lá, escutando, como se não tivesse nada melhor pra fazer. Tenho vontade de entrar na piada, chamar a mãe, relembrar que a única razão para tanto despautério deve ser o membrinho sexual desfavorecido. Quero apelar, ir à loucura, aterrissar com tudo na pobreza de espírito e na falta de elegância. Mas sabem, eu me alfabetizei, estudei nos melhores internatos da Suíça. Sou muito da trés chic para o playgroud oferecido. Dou aquela respiradinha, olho pra baixo, olho pra cima, relembro das ondas de raiva que costumava ter no ensino médio por causa desses entraves da vida. Penso em armas, penso no Jânio Quadros, penso na cara de bunda do Jânio Quadros quando ninguém deu a mínima para a sua renúncia. Começo a analisar o que me levou a pensar em Jânio Quadros e não consigo lembrar. Se a minha vida inteira não passa diante dos meus olhos, pelo menos consigo ver claramente a programação da TV a Cabo. O programa "Eu não sabia que estava grávida" não sai da minha cabeça. Como que aquela mulher teve gêmeos no vaso sanitário? Como que ela não sabia que estava grávida? Incredulidade. De repente relembro que estou no meio de uma suposta briga. Discutir é legal, mas só se seu oponente é um completo imbecil. A pessoa precisa cagar pela boca para ser realmente divertido. Você começa a pensar em Lacan e em outros caras da psicanálise. A ofensa recorrente diz respeito a minha intelectualidade ou a falta dela. Meu corpo se enche de uma ternura muito grande diante desse argumento baseado na linha de raciocínio "eu sou mais inteligente do que você". Sinto-me muito triste por não ter um pedaço de papel e uma caneta. Existem coisas que não consigo memorizar e esses xingamentos são ótimos, eu daria uma abraço de congratulação no cara, mas com essa jugular saltitando acho melhor ficar onde estou. Por isso que prefiro brigar pela internet, anotem isso para a próximo imbróglio. No fim o palhação acha que arrasou, solta mais umas três frases de impacto, Cícero, Marta Medeiros ou algo assim. Sinto um leve descontentamento no ar devido a minha falta de reação. Ele queria tanto um feedback. Não sei se ele acabou, tenciono me virar, acho que ele manda eu ir me foder e assim termina o terceiro ato.

Só não vale chorar ou chamar a professora.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Uma teta minha um negão arrancou

A primeira coisa que eu faria após ganhar na Mega Sena? Contratar Capangas. Teria um exército de senhores desdentados, munidos de grandes facas e porretes. Não quero viajar, não preciso de carros e casas; só me interessa abocanhar a vida no cangaço. Se pregam hoje em dia que "é melhor deixar rolar", eu vou deixar rolar vermelho.

O problema não é o ex-namorado mandar uma mensagem de madrugada dizendo que tem saudades, que nunca mais amou ninguém daquela maneira e etc. Chato é receber outra, logo pela manhã, do mesmo indivíduo ao estilo "eu estava bêbado, esquece o que eu falei". O conselho para quem pode estar lendo essas linhas consiste basicamente em desconsiderar SMS's enviadas entre às 01:00 e às 07:00. Elas nunca são for real. Beleza, eu nem queria nada com o cara, mas ter uma legião de homens cegos por mim parece algo mais legal que a minha coleção de Tazo de 1996. Mentira, nem sou como aquelas meninas que tem a autoestima medida de acordo com a quantidade de elogios que recebem.

Você provavelmente conhece uma garota assim. Geralmente elas são loiras, bronzeadas, alisadas e usam pouca roupa. Qualquer semelhança com a minha realidade é um mero detalhe, depois que engoli aquelas pilhas procurei tratamento. Pois bem, andar com meninas que parecem saídas de um filme pornô parece legal mas na verdade é uma grande roubada. Geralmente, elas foram abusadas na infância ou não tiveram atenção suficiente do papai. Um prova irrefutável de que a mulher é gata mas podre por dentro: fotos fazendo biquinho. Menções de qualquer espécie a palavra inveja também são válidas.

Não fique com essas mulheres, fique comigo. Acabei de completar 23 anos, meus amigos virtuais me consideram inteligente e joguei fora todas as calcinhas rasgadas. Sério, faço essa última piada só para dizer aos meus (quatro, talvez cinco) leitores que nem faço mais questão de ter um namorado. Investi nesse mercado nos últimos meses e descobri que a maioria dos rapazes são umas criançolas sedentas de atenção. Ou seja, até que tava gostoso, mas eu prefiro aipim.

Em 2010 sinto que farei as mesmas coisas que fiz em 2009. Não quero perder peso, não quero aprender um novo idioma, não quero ser mais organizada e nem ler mais livros; mas por outro lado, não consigo achar amigos descolados que me tirem dessa rotina. Minha meta poderia ser engravidar no trenzinho do baile funk, aposto que ganharia diversos leitores com essa. Sabem, aqui em Hollywood, fazemos tudo pela fama.

Não verei o filme do Lula, não farei odes ao filme do Tarantino que todo mundo comentou e principalmente, espero não morrer de tuberculose. Numa postagem de 2007, aleguei que morreria de tuberculose aos vinte e três, mas nunca pensei que o vigésimo terceiro ano estivesse tão próximo. Se Ele voltará, não sabemos; mas saibam que continuarei debruçada nesta janela virtual, seja para difamar namorados inocentes, xingar putas disfarçadas ou provar da minha própria imaturidade.

Se colar, colou.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Eu poderia estar roubando mas só queria ser repórter

Nada como um bom alarme disparado no prédio ao lado por mais de 24 horas. Quando o pi-pi-pi finalmente passou, o sentimento foi parecido com a aterissagem de uma certa aeronave vinda das areias caribenhas no último ano ido. Taísa, acabou agora. O silencio é um bem valioso; raríssimo nessas terras onde o turismo se apega à força. Uma praia poluída, uns hotéis baratos e umas boates que agradam ouvidos menos sofisticados, ou quem sabe, mais modernos. Sabe qual o mal dos meninos que recitam Shakespeare? Eles não tem inteligência emocional; cometem gafes contínuas ou causam constrangimento por não saber realizar tarefas simples como pedir um sorvete com dupla camada de chocolate. Também não sabem se vestir. Nem quero entrar no mundo fashion, pois eu mesma não faço parte dele, mas qual a dificuldade de combinar uma calça jeans e uma camiseta branca? Não sabe o que está bombando nas passarelas de Paris e nem tenciona saber? Use algo parecido com isso. Depois neguinho vem dizer que sou superficial, mas poucas pessoas sabem como é chato andar com uma pessoa que te causa um bom embaraço num grupo social pequeno. Decerto ninguém liga para essas coisas né? O amor vence tudo, até pochete. Estou um pouco descontrolada no humor banal baseado no ódio a todas as coisas, confesso, deve ser essa época festiva que, como diria a outra, vive dando no meu saco. Detesto natal e esse otimismo todo, entretanto, adoro meu aniversário e os presentes que espero receber de vocês. Consumista até a medula, assumo minha paixão por diamantes, livros e bombons. Portanto, não se acanhem em me dar essas coisas, principalmente o exposto em posição primeira. Não tenho personalidade; estava lendo uns quatro livros ao mesmo tempo e, de repente, encontrei a revista Vogue da minha irmã. Penso em me viciar em sapatos, tipo aquelas executivas de Nova York etc. Não parece legal pra vocês? Acho uma iniciativa interessante, mas não saberia por onde começar, quem sabe pintar as unhas do pé para não matar nenhuma vendedora do coração? E depois que elas compram os sapatos, onde que elas vão com eles? Eu pego ônibus, encaro paralelepípedos e quiçá um esgoto em céu aberto; como ter glamour numa realidade assim? Como Jesus Cristo, como? Dizem que piadas com religião nem estão em alta, mas teve uma em American Dad que vale a citação "I love christianity. It's like Harry Potter, but causes genocide and bad folk music". Não é ótima? Sabe o que mais é ótima? A minha boa vontade em lutar para ter o meu primeiro romance publicado. No próximo ano, vou usar de Lei da Atração e macumba, algo há de se mostrar efetivo. Nos juntemos todos em uma corrente amiga de fé e oração para que isso se realize. Conto com vocês para tal empreendimento.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

"Vida"

Descambei na mudança e acredito piamente que hoje não sou a mesma. Não como aquela moça que ocasionalmente cantava no Faustão dizendo que havia se reinventado, virado a página, estando em outra. É algo como "I can see clearly now the rain has gone". Talvez existisse uma venda ou nem era nada. Tudo parece simples, tão absolutamente simples e bonito. Algumas melodias, as poesias de Bandeira e eu procurando, procurando e entristecendo a todos por não encontrar. Uns versos tão perfeitos. Um afeto imenso e a poesia do mundo em todo momento. Não, a vida, rodeada de protetoras aspas, não está nas coisas simples. A frase proferida em boca pobre, não faz justiça com a complexidade que estonteia. O sublime é perder-se no tempo e perceber a audácia de certos instantes. Duas cervejas, talvez três e uma barra de chocolate ao leite. Falo um monte de bobagens só para dizer que hoje não estou puta com nada. O gerúndio, a pós-modernidade, as músicas ruins de referência e a vontade de desabotoar o sutiã.

sábado, 5 de dezembro de 2009

O ano em que não conquistamos grandes nações

Dois mil e nove foi uma merda, eu deveria ter me matado e ressuscitado no terceiro dia para ver se algo emocionante acontecia. Quem sabe a quantidade de leitores aumentasse e alguém tivesse a brilhante ideia de criar uma religião em meu nome. "O sangue de Taísa tem poder" poderia ficar até engraçado se o pessoal tivesse o senso de humor um pouco mais peculiar. Como rir da religião dos outros só rende a discórdia e as lágrimas de pessoas boazinhas, mudemos de assunto.

Este ano releguei a literatura nacional em nome da minha licenciatura em língua e literaturas inglesas; mas segunda-feira, dibobeira no meio da biblioteca, leio as primeiras duas linhas da Angústia do Graciliano Ramos. Cheguei em casa li o troço quase todo. Sempre sinto muita vergonha por ter em mãos coisas muito bem feitas. Vergonha por mim e pela arrogância em que me pego ocasionalmente com esse lance de escrever bem. Aliás, isso é bastante relativo, meus poemas continuam uma porcaria, mas textos em prosa, reportagens, contos, crônicas até que estão mais ousados em seus formatos e conteúdo.

Pois é, tentei inutilmente mostrar um pouco desse meu lado mais sério ao abrir um blog para a publicação da minha "produção artística"; mas não me sinto a vontade. Não consigo abrir mão das coisas; sempre acho que as poesias estão inacabadas ou que os contos necessitam de uma milésima revisão. Daí simplesmente junto a frase "não tenho tempo" e acabo não fazendo nada mesmo. Ano que vêm prometo parar de regular a mixaria e liberar alguma coisinha para o povo interessado. Tenho milhares de coisas nos meus cadernos, agendas, pen-drives, emails, Meus Documentos e afins; organizar não é difícil, o problema é dar a cara a tapa com uma coisa que eu levo por demais a sério. Será frustrante perceber que só atraio leitores pela exposição errática da minha vida, mas alguma hora eu teria que encarar essa triste verdade.

Os meus dois feitos favoritos do ano são a perda de 18 quilos e a leitura de A Montanha Mágica. Sinto que poderia até sair na capa da Boa Forma, não necessariamente segurando o livro do Thomas Mann, mas algo assim. Pessoal por aí diz que sou inteligente, mas insisto em afirmar que sou apenas mais um rostinho bonito na TV.

Também comecei a idolatrar Virginia Woolf e Sylvia Plath, algo que deixou os familiares ligeiramente preocupados. Quem limparia a casa se eu resolvesse imitá-las dando cabo em minha nobre vida? Digo que nem me mato, pelo menos não enquanto não ler, sei lá, Luz em Agosto ou os sete do Proust. Não sei, se dizem que os franceses são chatos, ficarei com os nordestinos. Reitero o Graciliano e um Guimarães Rosa para dar alegria.

Pensando bem, o ano nem foi dos piores; gosto de fazer um draminha, vocês bem o sabem. Descobri em fevereiro o hipotireoidismo e minha vida mudou radicalmente; foi com o tratamento que perdi todos aqueles quilos. Teoricamente também deixaria de estar tão cansada e irritada. Sim, confesso que ainda espero esses efeitos promissores que a vida medicamentosa prometeu. Sinto que estou sempre doente, com um nó na garganta, um nojo de tanta coisa. Nem tenho motivos, a vida é boa e tudo e tal. Deve ser essa pós-modernidade que bate na janela e nos põe confusos como o diabo!

Vi bons filmes, dentre eles Os incompreendidos e Os sete Samurais. Conheci umas bandinhas legais que me causam uma abstração once in a while. Houveram ainda rapazes; um que era analfabeto, outro que não me quis e um que atualmente me quer. Sei que outras coisas relevantes devem ter acontecido, mas elas não surgem agora. Ainda temos tempo, e uma coisa é certa: já nem dou mais conta de tanta informação.



Um Ipod e uma xícara de café.


Taí, mais uma postagem sem nenhum propósito.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Um salve para as garotas que gostam de calcinhas enormes e nada sensuais

Estou no trabalho; mas eu realmente gostaria de estar em casa, vendo um musical. Digo mais, gostaria de estar esparramada só de calcinha no sofá da sala me empanturrando do mais puro Nutella de colher, cantar a trilha sonora de forma errada e desafinada também faz parte do cenário. Hoje moro com dezenas de milhares de pessoas e não passo um único segundo da minha vida sozinha. Tô lá, toda vestida, suando litros e assistindo GloboNews com meu pai. Nessas horas que lembro da minha longa estadia no México. Dispunha de um belo quarto com wireless e ar-condicionado. Tudo bem que eu só ficava de calcinha pois nenhuma outra roupa conseguia comportar os dezoito quilos ganhos por lá. Mesmo assim, era uma liberdade. Cansei de estudar como um zumbi. Começo achar chato ter que ler um conto de 20 páginas pelo menos umas três vezes pra saber se os personagens são planos ou redondos; se não-sei-o-que-lá é intradiegético ou extradiegético, se o narrador é não-sei-como. E as matérias de jornalismo estruturadas na mais pura encenação, um falso conhecimento tão grande que se eu parar pra pensar no conteúdo que estão me passando, tenho até vontade de chorar. O bom é que sempre tem uma matéria ou outra para salvar o contexto. Fico nessas divagações quando em teoria não tenho nada para fazer; deveria estar lendo a Unidade B do material de Linguística Aplicada, organizando a minha mesa, onde cerca de duas semanas atrás derrubei café e este secou mudando a coloração original do móvel. Não faço nada, olho para a claridade e enxergo tudo preto por alguns segundos. Já deu meu expediente, li a Folha, tomei todo o café do prédio e ainda preciso reunir as tralhas para ir caminhando até a faculdade. E os grandes planos? Quero passar uns dias em São Paulo, pensar em conseguir um emprego de férias que proporcione riqueza e conforto, ler Guerra e Paz, tirar as roupas de inverno do guarda-roupa. Não faço nada, mas puxa, como penso nisso nessas tardes que vivo em espera.
 
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