Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Narrativas modernas e as revoluções na forma de escrever um romance

- Que livro você está lendo?
- Enquanto agonizo.
- Esse escritor não é aquele que era revoltado e tomava ácido?
- Na verdade nem sei, é meu primeiro livro do Faulkner.
- Você é muito linda sabia?
...
- Você vem muito aqui na Cultura?
- É a primeira vez, parece ser um lugar legal para ler sem ser interrompida.
- Você é brasileira mesmo?
- Sou.
- É gaúcha né, vai fala...
- É..
- De Porto Alegre?
- Ahn?
- Perguntei se você era de Porto Alegre.
- Sou catarinense.
- Você falou que era gaúcha.
- Não estava prestando atenção.
- É, eu vi você lendo toda concentrada.
- Eu tento.
- E aí fica até quando em São Paulo, vamos tomar um café?
- Não.
- Não?
- Tenho que ir embora.
- Pra onde você vai?
- Cara, você vai perceber sozinho ou eu vou precisar...
- Sabe, eu faço muitos coquetéis, lançamentos de livros e essas coisas...
....
- Me passa seu telefone, te convido, você vai gostar.
- Não tenho telefone.
- Ah é, você não é de Sampa, que pena...
....
- Espere, onde você vai?
- Embora.
- Vou guardar esse livro aqui e vou com você, espera só um pouquinho...

Não esperei mas dei o endereço do meu blog.

Sábado, 11 de Julho de 2009

Dada is not?

Baladas com a vaca do Toddy? Ter o seio direito agarrado por um senhor de uns oitenta anos? Ajudar um indiano a chegar na Vila Madalena? Fazer amizades na fila do Masp? Turismo-violência pela linha vermelha do metrô? Café da manhã com morangos frescos? Distribuição de cigarros Lucky Strike para crianças? Pagar cerveja no vale-refeição? Porre de absinto em festinha sertaneja? Não dormir? Dividir toalha de banho com meu ex-cunhado por dois dias? Café com jornalista da Folha? Conhecer as galinhas do terreno vizinho da casa da minha tia na Vila Albertina? Passar cinco dias com dez reais na carteira e sobreviver da caridade de estranhos?

São Paulo, meus jovens, é isso.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Compre seu diploma!

Nunca li Henry Miller. Algumas pessoas já disseram que meu deboche lembrava alguma coisa que não sei bem o quê, que ele escreve sei lá como, mas a verdade é que até pouco tempo atrás a única coisa que eu achava que sabia dele era seu casamento com Marilyn Monroe; depois descobri que quem casou com ela na verdade foi Arthur Miller. Férias chegando e peguei um livro lá, que não é o tal do câncer. Pelo visto o Robert Musil ficará para outra época; preciso mais feijão e arroz intelectual antes de passar para tamanhas empreitadas, fora que a fase "livros com mais de mil páginas" não me seduzem tanto no momento.

Como a aula hoje foi um bate-e-volta fui na biblioteca dar uma respirada e largar mão de tanta Internet. Li um livrinho de poesias Educação pela pedra do João Cabral de Melo Neto que durou o tempo exato do horário do meu ônibus. Minha universidade é muito barulhenta, ninguém respeita nada, maldita hora que colocaram wireless; até hino de futebol tocando alto por lá. Os bibliotecários nem aí. Vergonha na cara ninguém tem e viva o ensino brasileiro. Faço "xiii" solto o "porra, cara" e nada.

Eu tenho muita vergonha da minha faculdade particular. Nunca me perguntem o nome do lugar, nada, eu não consigo dizer, é horrível. E quando tem palestrinhas "vamos promover o diálogo" é aonde se ouve as maiores barbaridades; realmente me entristeço. Fico arrogante e azeda. Penso que só o casamento e uma prole ranhenta de filhos me salvará. Primeiro passo: sair de casa. Dificilmente encontrarei um marido no caminho entre a sala e o banheiro.

Dizem que é feio ficar falando mal assim da escola, que é preciso vestir a camisa e não sei o que mais. Não vou vestir nada e se me perguntarem não é comigo. E se alguém em algum momento dessa minha vida ver que estou debandando para a corja do DCE, por favor, arrebente a minha cara. Não tem nada mais engraçadinho que um bom universitário; se o palhaço não fosse eu; eu também dava risada. Socialista? já te dou.

Estou de bobeira no Messenger quando me colam um perfil de Orkut para analisar. Puxa, só podem estar brincando né? Lá vai: mulher, aspirante a jornalista, casa dos vinte, vegetariana, adoro gorotos nerds, Amelie Poulain, sotaque britânico, Londres, eu amo ler, odeio gerúndio, Jhonny Deep. Acreditem, posso ficar horas aqui citando toda a personalidade estereotipada da colega; mas esse não é nem o ponto.

Por que todo mundo quer morar em England e fazer jornalismo? Adoram cinema clássico? Leia-se Tim burton e Laranja Mecânica. Adora ler? Marta Medeiros? Porra mulheres, parem de ser retardadas com esse papinho intelectualóide forçado. Querem morrer de frio na droga da Europa mas nunca leram uma poesia de Yeats, por exemplo. Se consideram nerds, mas quero vê-las "ficar" com aquele meu amigo que nem consegue falar de tão deslocado. Os nerds delas são aqueles que sabem a filmografia do Quentin Tarantino, usam armação preta e têm um tênis vintage da Nike.

Não esqueçam da Clarice Lispéctor, é muito importante A-DO-RAR Clarice. Não precisa ler todos os livros, o importante é uma frase para por no Orkut, saca? Outra, é preciso ter fotos estranhas, com cara de sofrimento, pensadora, reflexiva. O negócio não é ser inteligente, mas sim parecer inteligente. Escreva muito em inglês, force especialidade em seriados americanos, finja entender de filosofia. Seja moderna, tenha um amigo gay e declame Vinícius de Morais. Tá pronto, parabéns.

Eu prefiro mil vezes aquelas que curtem um Cliclete com Banana peladas lá na longínqua Bahia do que essas farsantes de araque. Elas ficam lá, fazendo a felicidade dos caras, sendo "molecas" e descendo até o chão. Já as pensantes fazem cara de "eu sei de coisas que você não sabe", "sou moderna e feminista, amo futebol". Com tatuagem de estrelinha no pulso ou aquela estrelona indecente no ombro. Adquiriram sabedoria copiando tendências que não tinham habilidade para assimilar, leram na Nova, elas sabem das coisas, dos filmes, das bandas, da matança dos pobres animais indefesos. Elas não comem carne mas a bota da moda de couro pode ser. Se a mamãe der bolsa da Victor Hugo daí sim, fica dez.

Nós, jovens mulheres deveríamos ter vergonha na cara; sim, me coloco junto. Sempre digo que somos farinha do mesmo saco, a diferença é que eu guardo os meus "achismos", não tenho uma intuição feminina e não me acho assim tão brilhante. Às vezes não parece, visto a carapuça da mulher inteligente, mas a grande verdade é que eu também não sei das coisas; talvez ninguém saiba. O importante é colocar uma boa crítica em si, parar pra pensar se é isso mesmo que você gosta. Não se engane, tire os óculos escuros tendência de 70 polegadas da cara e veja a verdade.

Eu só queria falar mal da minha faculdade, não sei bem o que aconteceu alí pelo meio.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Cretinices à parte, continuo a mesma

Clube do livro com meus amigos imaginários: O Homem sem Qualidades de Robert Musil.

Comida mexicana sempre me causa uma leve angústia, ainda mais essas de praça de alimentação que pouco correspondem com a realidade da terrinha; uma comida em verdade suja com um leve gosto azedo, proveniente talvez, de uma mão muito mal lavada. Lá o povo sua bastante, o salgadinho da cultura, é, acredito fortemente, uma consequência dessa transpiração. Não que a comida shoppiniana (odeio terminologias do calibre) seja melhor, ela é de outra natureza, mais limpa e igualmente intoxicante. Taco Veggie, acho graça, mas pode ser. Se eu ver mais um Subway na minha frente dou algumas cambalhotas para extravasar a agressividade. Nós vegetarianos, da fase pré-boom da filosofia, já não nos satisfazemos com um palmitinho vagabundo e uma ervilha enlatada de quinta. Soja, só a do meu pai, obrigada. "Alguém me mate, por favor" eis a bela frase que definiu o domingo. Não vivo só de comer, mas é a coisa que mais me agrada, não posso mentir. Como bem demais, e a minha variação de peso incomoda consideravelmente, não pela a estética da beleza etc., mas pela desorganização da minha saúde. Amanhã, prometo, vou pegar o ticket da minha irmã milionária e comprarei comida decente no mercado. Juro que vou morrer de anemia dia desses. Acredito numa grande conspiração quanto aos meus exames de sangue. "Pai, eles estão nos enganando, eu preciso de medicamentos!" Raramente me sinto bem, penso na morte da bezerra, durmo mal, não trabalho, desiludi da Comunicação Social. O que é filosofia? de Gilles Deleuze e Félix Guattari é realmente instigante apesar de ter um efeito similar ao Rivotril. Aliás, faz tempo que parei com as tarjas pretas. Sou feliz e tal, mas eu realmente queria um namorado. Reli até Lira dos vinte anos do Álvares de Azevedo. Faz certo tempo que não escrevo poemas, a fase "está tudo uma merda" adentrou decassílabos afora. Decidi ainda escrever um diário para parar com a verborreia de cunho pessoal por aqui. É uma mudança do estilo lenta e gradual, quem sabe funcione. Sempre mantive diários, é impressionante o meu sarcasmo na quinta série; perceberam que vivemos na Era dos Comediantes? Todos se tomam por Jerry Seinfeld com piadinhas infames de fácil compreensão. Ah, a banalização. Não falemos dela. A ida no shopping foi legal, Transformers 2 rendeu boas gargalhadas e composições de rap-zona-leste: atriz com cara de boqueteira mais carros caríssimos: blockbuster, dos piores, claro. Eu ainda morarei em uma cidade com opções culturais, nem que eu precise sofrer assaltos, engarrafamentos e tudo mais. Pago o preço achando graça, se não é a sua primeira vez aqui, saberá que violência contra moi é praxe. Já falei que eu quero um namorado? Céus, penso nisso o tempo inteiro, toda uma vida de boas leituras e bons colégios resumidas nisso. Gosto de pensar que faço parte de uma juventude que diz não a vulgarização da coisa toda e quer encontrar uma pessoa já na casa dos vinte e crescer junto dela. Aparentemente isso não existe e estou louca: é preciso aproveitar a vida, dizem. Diga-me como? Tive minhas fases de belas cagadas que rendem ótimas risadas até hoje, mas nada fantástico envolvendo DST's e montanhas de cocaína. Meus deslizes são pré-escolares; envolvem beijo no fulano que é primo do cara que eu namorei 956823 anos ou porre astral de barbitúricos em festinha de quarta-feira. A pós-modernidade da mulher fatal raramente me caiu bem. A verdade é que não cai bem em ninguém, mas que todo mundo já colocou o pézinho no terreiro é impossível negar; já diria uma capa da Contigo! sobre a Sandy: "Ela até xinga no transito!" Já sexta fiquei em casa, sábado quase fui na "balada dj's internacionais" mas fiquei também em casa, vi A hora do Lobo do Bergman e me preocupei com a matéria sobre trabalho voluntário no exterior. Perdi meu tempo do Twitter e espremi bastante meus cravos. A apatia corrói tudo de relativamente bom que há em mim e sério, ninguém tem um primo pra me apresentar?


Porque pessoas fúteis como eu também têm um coração.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Lobo da Estepe

Fase: baixa auto-estima. Como escreve? Autoestima? Toda acabada, com aquela cara de sofrimento, voltando da faculdade de ônibus. Pobretona. Uma Nikon analógica na mão e nenhuma ideia na cabeça. Sim, Fotojornalismo II volta a assombrar quando eu já me dava por vencida. Cabelo feio, preciso pintar, preciso cortar, talvez uma franja. Maquiagem, o que é isso? Não faz mal, leio bastante, fui bem no vestibular que fiz semana passada, vira e mexe alguém fala bem dos meu textos. O que um rímel poderia fazer por mim?

Existem dois tipos de rapazes nesse mundo: os que me acham aquilo-tudo e os que acreditam que eu seja um idiota nariguda que nem escreve bem. Alguns gostam de falar isso na minha cara, sabe se lá por quê. Ah, claro, fiz um blog-diário-de-uma-adolescente e dei abertura pra isso. Também me cerco de falsas amizades que fazem questão de me diminuir over and over and over again. Deve ser prazeroso e decerto eu gosto de sofrer.

Comecei a acreditar em tudo, naturalmente. "Os caras" só entram no meu blog pela minha aparência e na verdade "eu nem te acho bonita, mas você vai achar alguém legal até". Vou? "Você nem trabalha na área né?" É. "Eu conheço filmes fodas, eu isso e aquilo, eu, eu, eu..." Puxa, e eu? Sei lá, sinto que não sei de nada, talvez compre uma enciclopédia.

Voltemos ao ônibus. Eu, fracasso estampado no rosto; acreditando que ser madura é deixar que os outros sejam infantis comigo, algo que, acreditem, nada tem de superioridade. Remoía as mágoas antigas de guerra quando o "cara bonito" hipnotiza no meu rosto. Automaticamente concentrei-me nos meus joelhos; mesmo sob os protestos da melhor amiga, incrédula diante de uma timidez que nunca esbocei. Fiquei lá, corada de vergonha com uma cara de idiota.

O plano não era me atirar nos braços do bonitão ou fazer cara de "quero dar". Lidar com aquela situação de uma forma saudável e moderna era uma boa pedida. Consegui ouvir a minha mãe falar comigo: "Só fica naquele computador, não sai de casa, não conversa com ninguém". Oi, meu nome é Taísa Szabatura e eu sou viciada em intenet. Dizem que admitir o problema já é um começo.

Por que faço parte de uma juventude que se considera velha e leva tudo tão a sério? Ora, que torpeza ser apenas um modismo mascarado de intelectualidade.

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Às quatro da matina viver é mais gostoso

Taisíssima. diz:

Tô cansada mas não tenho sono.

TheBigBuda diz:

Você pode tomar um leite quente, colocar água morna sobre as suas pálpebras ou deitar e se concentrar na sua respiração.

TheBigBuda diz:

Vai continuar com o mesmo problema, mas vai se sentir uma idiota.

' Taisíssima. diz:

É...

' Taisíssima. diz:

Um Nescau iria bem.

TheBigBuda diz:

Original né?

TheBigBuda diz:

Nada de viadagem de nescau 2.0.

' Taisíssima. diz:

Sem viadagens, fique tranquilo.

' Taisíssima. diz:

Mas qual a diferença, enfim?

TheBigBuda diz:

Olha, o 2.0 tem gosto de Toddy envelhecido, cuspido e mofado.

' Taisíssima. diz:

Entendo.

TheBigBuda diz:

Aliás,

TheBigBuda diz:

saiu de linha o orignal por um tempo.

TheBigBuda diz:

Sei que não fui eu quem fiz voltar,

' Taisíssima. diz:

Ah é?

TheBigBuda diz:

mas mandei um e-mail mal educadíssimo pra Nestlé.

' Taisíssima. diz:

Conte-me.

TheBigBuda diz:

Porra, são burros?

TheBigBuda diz:

Todo mundo diversificando a linha...

TheBigBuda diz:

O toddy agora tem original, chocolate italiano, suíço e com frutas; e esses imbecis tiram o orginal pra colocar aquela merda.

' Taisíssima. diz:

Verdade.

' Taisíssima. diz:

Nem sabia desse problema gravíssimo da industria do achocolatado.

TheBigBuda diz:

Não é? Tomo essa jossa desde a minha terna infância; quem são eles para me privar ?

TheBigBuda diz:

Mas agora tudo corre bem.

' Taisíssima. diz:

Ótimo, folgo em saber.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Nutro relacionamentos imaginários: somos felizes, né amor?

Não vou reprovar em Fotojornalismo II. Com essa informação, digna de "a fome no mundo acabou, sejamos felizes e fraternos" abracei meu amigo Renan e fui num bar. Chegamos rápido. Atravessei a avenida da faculdade e já estava com os pés lá dentro. Apesar de beber consideravelmente bem, frequentei esses lugares só lá pelo primeiro período, sei lá, nunca gostei do povinho "falo alto e quero que toque pagode".

Tá eu falo alto, quero aparecer, talvez meu pai não tenha me amado o suficiente e aquelas coisas, mas esses bares da faculdade sempre me deixaram meio assim, fora que mandei 98% de todos os meus conhecidos, direta ou indiretamente, pastar num campo bem distante e daí teria que ficar sentada na bancada com minhas rugas e meu casaco de peles. Sabe como? Linda, glamurosa e com vontade de dar para jovens poetas sonhadores etc e tal.

Mas não, eu vou parar, não de beber, mas de escrever sobre essas coisas. Apaguei três parágrafos pois chega de postagens jecas cheias de rancor pelo mesmo pessoal de sempre.

Vai Taísa, estamos todos torcendo pelo seu amadurecimento. Não fale mal do filme que você viu no cinema, pare de agonizar pelo Quest e escreva sobre os livros sensacionais que anda lendo: Ao farol da Virginia Woolf rende uns 7.692 caractéres fácil. Sabe, você até faz coisas interessantes, pare de se lamentar como uma idiota, fale do filme Lars and the real girl que você viu, sei lá, pare, já deu no saco da galera, pombas.

Namorar uma boneca pornô é tao doentio assim?

 
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